As três palavras (malditas)



Nunca te pedi mais do que queria dar, nunca exigi que largasse tudo para ficar.
Não era certo anularmo-nos
e mesmo que o sentimento fosse recíproco
sempre haveriam dois lados,
duas vidas diferentes, duas almas talvez um pouco inconsequentes,
dois corações tanto quanto inocentes
que se apoiariam mutuamente e se entregariam completamente.

Entendiam-se e relevavam-se coisas sem pensar,
já era hora daquele porto seguro encontrar.
No entanto foi assim, por necessitar
se abriu um abismo,
dissipou-se o alívio
como ar,
se fizeram incabíveis os caminhos onde só um desejou caminhar.
Pulou-se o primeiro obstáculo sozinho, sem se quer hesitar.

Não te iludas que por muito querer porém pouco falar
a esse coração irás encontrar.

Teríamos todo o tempo do mundo para aprender a dividir nossos pesares,
dando as mãos, o afago dos abraços, os falantes olhares.
Os risos que se transformaram em imagens, os assuntos que agora são miragens.

Depois da guerra, ficam os vestígios impetuosos,
insistentemente permanecem;
as três palavras que não denunciavam algo sinuoso
Esconderam-se em pequenos escombros num lugar tão difícil de encontrar em poucos instantes se fez apenas história para relembrar.

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