Pápeis queimados
Aquelas manhãs altas de pura serenidade e as noites silenciosas dentro de um quarto sem muita frescura e a luz da luminária já amarelada pelo tempo renderam momentos cuja caneta foi a melhor amiga, dançava entre uma linha e outra intensamente assim como queriam gritar os sentimentos afagados por papel e tinta. Talvez foram cinco minutos ou um pouco mais, se fossem gastos em atitudes agora eu não precisaria compartilhar em uma página na web toda a verdade que agora rodeia meu pequeno grande universo.
Sutil ilusão, nem me deixava alimentar esperança e as expectativas já ficavam para trás. De longe eu observava alguém que jamais eu seria como era para mim, me inspirava nos seus gestos, no seu modo de pensar, nos passos leves de seu caminhar e toda vida que dele via transbordar.
Aprendi a valorizar os dias que nenhuma nuvem no céu havia e levar essa intensidade para dentro de mim, eu experimentei a paz serene e a felicidade que vem do cultivar a alma com leveza.
Tempos passados, papéis amassados, rasgados finalmente.
O objetivo era me fazer enxergar o que tanto esperei e ao meu lado já estava, roupa limpa e passada, alma desnuda e em calma!
Ah, que saiba o mundo: me precipitei.
Foi tudo relido, repensado, remontado. Só que antes tinha que acertar as contas com o passado; deixá-lo lá em seu lugar. Não vivemos mais lá, as coisas mudaram, nós amadurecemos...fogo fez seu incêndio, transformou em cinzas esses mistérios.
A fumaça subiu, o presente da vida se abriu, o coração que era fraco resistiu e dentre estalos só existe o recado: esses segredos já não me pertencem e não terão de ser revelados porque agora são somente papéis queimados.
L.C.

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